As cidades de Cássia e Delfinópolis passam novamente por situação grave com uma das balsas que faz a travessia do trecho do Rio Grande entre os municípios. Segundo nota, a balsa São João Batista do Glória foi interditada pela Capitania dos Portos da Marinha do Brasil para que fossem feitas adequações.
A interdição ocorreu no último sábado, 2, quando uma equipe da Marinha do Brasil realizou uma visita para vistoriar as condições das embarcações que atendem a região de Delfinópolis. Após constatar a necessidade de realização de reparos na balsa São João Batista do Glória. O prazo inicial para retorno da operação foi estimado em 30 dias.
De acordo com moradores de Delfinópolis, a situação tem se agravado a cada nova paralisação das balsas. Segundo a moradora Fabiana Lopes, o descaso de Furnas, responsável pela manutenção das embarcações, tem causado esses problemas frequentemente. “Furnas vem aqui em Delfinópolis e fala que reformou a balsa, mas do meu ponto de vista uma balsa reformada deveria durar em média um ano, sem dar defeito. Mas eles consertam e três semanas depois a Marinha interdita a balsa, como aconteceu agora com a balsa São João Batista do Glória, interditada por falta de manutenção adequada”, reclamou Fabiana.
De acordo com informações do município, apenas a embarcação Rio Grande está em funcionamento. Ainda conforme Fabiana, a operação somente desta balsa não é suficiente para atender a demanda das duas cidades, trazendo sérias consequências para a população que depende da travessia.
“Como é possível perceber pela fila imensa que se formou no embarque, utilizar somente a balsa Rio Grande não atende a demanda atual. Conheço algumas pessoas que precisam fazer tratamento em algum município vizinho, e que ficam impossibilitadas de chegar a seus destinos. Além disso, nosso comércio não tem condições de receber mercadorias, pois caminhões e carretas não conseguem fazer a travessia do rio. A linha de ônibus que atende o município também é prejudicada, passando alguns dias e outros não, além de em parte desses dias o ônibus chega só até o porto e os passageiros precisam pegar carona para terminar de atravessar”, disse.
Segundo nota emitida pela Prefeitura de Delfinópolis em sua página oficial no Facebook, das três balsas disponíveis para atender a região, além da embarcação São João Batista do Glória, que agora se encontra em manutenção, a balsa Delfinópolis 1 (Balsinha) passa por reformas mecânicas, o que impossibilita sua utilização.
Solução
Com os problemas causados pelas excessivas paralisações das balsas, a discussão se volta para a ponte entre Delfinópolis e Cássia, que tem sido esperada há alguns anos e até o momento Furnas não se posicionou sobre a possibilidade de sua construção. O pároco da cidade, padre Maia, disse que a situação agora ultrapassou os limites da normalidade e que não existe outra solução além da construção da ponte.
“A situação é de muita gravidade, pois temos grande dificuldade de acesso ao município vizinho, o que já é um problema bem antigo. Chegamos em um limite que ultrapassou a normalidade para o não funcionamento das embarcações. Temos filas grandes e demoradas, o que causa atrasos para quem precisa atravessar pela balsa. O próprio acesso aos ancoradouros não está adequado, sem somente um caminho de terra, que precisa constantemente ser mantido com máquinas escavadeiras para possibilitar um estado razoável de conservação. A única saída, a meu ver, seria a construção da ponte entre as cidades, mas isso não pode ser feito da noite para o dia, é claro”, declarou o padre.
Ele ainda diz que uma solução para o gerenciamento das balsas seria a concessão do direito para empresas privadas, buscando uma melhora nos serviços. “Penso que, se não tem como manter o poder público responsável pela manutenção, como hoje é o caso, sendo Furnas a responsável pelas embarcações, isso deveria ser transferido para a iniciativa privada, para que seja possível oferecer um serviço de qualidade para os moradores de cidades que dependem da travessia do Rio Grande”, concluiu Maia.
Via Folhadamanha