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02/05/2017

Instituto Federal desenvolve tecnologias de baixo custo para pequenos produtores de café

Sul de Minas é a maior região produtora de café do Brasil. Boa parte dessa representatividade está ligada ao trabalho dos pequenos produtores, que muitas vezes dependem só disso para sustentar suas famílias. Como a agricultura familiar geralmente garante apenas a subsistência, pouco sobra para o investimento em grandes máquinas e equipamentos que facilitam o trabalho e aumentam a produtividade no campo.

Pensando nisso, o campus do Instituto Federal do Sul de Minas em Machado (MG) tem se dedicado ao desenvolvimento de novas tecnologias que possam auxiliar esse pequeno produtor. Confira abaixo algumas dessas tecnologias que prometem baixar custos e aumentar a eficiência nas lavouras.

Secador estático
Desde que a cultura do café foi introduzida no Brasil, após a colheita, os grãos são secados em terreiros antes de seguir para o processo de armazenamento. Mais recentemente, foram criados secadores rotativos, onde o café gira em uma câmara de secagem após ser pré-secado no terreiro.

Há 2 anos, o Instituto Federal faz testes em uma máquina desenvolvida por agricultores familiares de Santa Catarina, que pretende quebrar paradigmas em termos de secagem de café. Segundo o professor de cafeicultura Ivan Franco Caixeta, com essa nova máquina, não há necessidade que o café passe pelo terreiro.

"Este equipamento foi desenvolvido para secar soja, milho e folhas de fumo, mas foi adaptado para o café e está sendo um sucesso. Nele você não precisa de terreiro, de mão de obra, você seca o seu café sozinho. Ele não oferece risco para o trabalhador se acidentar, não tem risco de pegar fogo, porque nele acontece um processo em que o calor está em temperaturas menores e muito bem controlado. O produtor liga para secar e vai embora trabalhar em outros serviços", diz o professor.

Segundo o professor, o equipamento já está sendo comercializado há quatro anos, mas havia uma certa restrição na aceitação dos produtores, pois eles temiam que a máquina pudesse prejudicar na qualidade da bebida, o que vem sendo desmentido com os testes.

"Ele não prejudica a bebida, que era o grande medo dos pequenos e grandes produtores. Os grandes ainda têm resistência de colocar, mas estão mudando esses conceitos. Ele não atrapalha a bebida, reduz muito a mão de obra, reduz a manutenção. Economiza cerca de 20% de energia elétrica e quase 80% de mão de obra", diz o professor.

Com os resultados, o objetivo agora é disseminar o conhecimento para que novos produtores possam adquirir o produto e aumentar a eficiência em suas propriedades. O modelo mais barato sai em torno de R$ 28 mil e o mais caro, que é todo automatizado, fica em torno de R$ 75 mil.

Descascador que não precisa de água

Um outro equipamento que foi desenvolvido no campus de Machado do Instituto Federal do Sul de Minas e que já é comercializado através de uma parceria público-privada é uma máquina descascadora de café, que promete não usar água durante o processo.

Máquina que não utiliza água no processo de descascamento do café é uma das novidades em tecnologia (Foto: Divulgação / IF Sul de Minas Machado)
Máquina que não utiliza água no processo de descascamento do café é uma das novidades em tecnologia (Foto: Divulgação / IF Sul de Minas Machado)

"Esse equipamento faz o descacamento do café para a produção do café cereja descascado ou posteriormente o café despolpado. O objetivo dela é uma tecnologia que possa ser aplicada junto ao pequeno produtor para agregação de valor do café, já que o café cereja descascado tem um ágil no mercado. Essa tecnologia já existe faz anos para o grande produtor com o uso de água e o pequeno produtor dificilmente tem acesso a essa tecnologia porque o tratamento da água tem um custo alto", explica o professor e diretor do campus do IF Sul de Minas em Machado, Carlos Henrique Rodrigues Reinato.

Hoje, os modelos existentes no mercado chegam a utilizar 2 litros de água para cada litro de café despolpado e depois de utilizada, essa água ainda precisa passar por um tratamento para que seja reaproveitada.

"Hoje essa tecnologia o mercado exclui para o pequeno produtor. Daí surgiu a necessidade de você ter um equipamento que não fosse apenas viável, mas que fosse ambientalmente correto e que trouxesse um benefício no descascamento do café, sem a produção de efluentes. Todos os equipamentos que existem no mercado e que prometiam fazer esse descascamento tinham uma utilização mínima de água, que gerava um efluente totalmente poluente, que é o efluente da casca do café juntamente com toda a matéria da mucilagem", explica o professor.

Segundo o professor, todos os testes já foram feitos, tanto a nível de custo, eficiência e qualidade do café produzido em comparação com outras máquinas e equipamentos que utilizam água. A nova máquina tem um preço que varia de R$ 25 mil a R$ 35 mil, dependendo do tamanho, um custo que é reduzido se comparado a outros equipamentos do tipo.

"Como estamos inseridos em uma das maiores regiões produtoras de café e com característica de pequenos produtores, nosso trabalho é sempre voltado para a agricultura familiar, que hoje é a que mais demanda tecnologia. Para o grande produtor, já existem muitas tecnologias disponíveis no mercado. Talvez o gargalo hoje em termos de tecnologia, principalmente no pós-colheita, são os pequenos produtores", conclui o professor.

Via G1/Suldeminas

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